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MEDICINA & SAÚDE

CÂNCER DE PRÓSTATA DE A A Z - PARTE 6 - PROF. DR. UBIRAJARA FERREIRA

Professor Titular de Urologia Oncológica da UNICAMP e Presidente da Sociedade Brasileira de Urologia, seccional de São Paulo.

O que é PETCT e para que serve este exame?

A sigla significa “positron emission tomography”. Para melhor definição, ela passou a ser realizada em conjunção com a tomografia computadorizada, por isso PETCT. É útil na distinção entre câncer e processo benigno quando da detecção de nódulos suspeitos, Outro emprego é na confirmação de metástases quando se encontram formações teciduais suspeitas nos pacientes que estão sendo tratados de algum tipo de câncer. Apesar de ter valor em cânceres como o melanoma, câncer de pâncreas e de pulmão, cujo crescimento é rápido, traz poucas informações no câncer prostático, pelo fato de seu crescimento ser lento. Pode, eventualmente ser solicitado nas fases mais avançadas da doença, momento em que a evolução costuma ser mais acelerada, não se justificando nas fases iniciais.

Quais são os possíveis tratamentos curativos do câncer da próstata?

Basicamente dois. A retirada completa da glândula através de cirurgia (prostatectomia a radical) e a radioterapia.

A criocirurgia pode substituir a cirurgia ou a radioterapia no tratamento curativo do câncer da próstata?

Até o presente momento, os resultados com a crioterapia (congelamento da glândula, através de equipamentos especiais) são inferiores aos da cirurgia ou radioterapia, acarretando índices maiores de complicações. Ela é, ainda, alvo de estudos clínico-experimentais.

Como é possível saber se o tratamento levará à cura completa ou não?

O tratamento curativo só é indicado nos casos em que há fortes indícios clínicos de que a doença está localizada na glândula. Nos casos em que existe evidência de doença fora dos limites da próstata, o tratamento curativo não é mais possível.

No que consiste a cirurgia de retirada da próstata?

O objetivo dessa cirurgia é a retirada da próstata com sua cápsula, parte da uretra que ela envolve, as vesículas seminais e parte dos ductos deferentes. Os gânglios linfáticos existentes próximos à glândula também são retirados para exame, uma vez que podem ser sítio de extensão da doença. Muitas vezes, durante a cirurgia, determinados linfonodos são enviados para pesquisa de presença de infiltração cancerígena, fato que tornaria muito mais improvável a cura com a cirurgia, uma vez que freqüentemente existe acometimento destas estruturas concomitante com disseminação microscópica para outros órgãos.

Qual é a chance das estruturas ao redor da próstata estarem comprometidas com o tumor?

Antes do advento do PSA, cerca de 30% dos pacientes com câncer da próstata que chegavam à primeira consulta com urologista apresentavam doença disseminada. Com a maior precocidade no diagnóstico do câncer da próstata nos últimos anos, a chance do tumor estar confinado apenas à glândula tornou-se maior. Os gânglios linfáticos estão acometidos em apenas 2% dos casos operados atualmente. A incidência de tumor nas margens da próstata e/ou fora dela gira em torno de 25%. Isto não quer dizer que, invariavelmente, quando há tumor fora das margens da glândula estamos diante de uma doença incurável. Pode existir tumor não viável nas margens ou até resto de tumor benigno, que muitas vezes coexiste com o tumor maligno na mesma glândula. O que vai ser decisivo é a evolução das dosagens do PSA no pós-operatório para se saber se a doença continua ativa ou não.

Quais são as maneiras de se realizar a retirada completa da glândula?

Existem basicamente três vias de acesso: através de uma incisão longitudinal que vale do umbigo até o púbis (via suprapública); através de uma incisão entre o escroto e o reto (via perineal) e através de punções abdominais com o auxílio de pinças especiais e endoscópio (via laparoscópica). Não existem grandes vantagens de uma sobre a outra via de acesso. Pequenas diferenças relacionadas ao desconforto e à estética pós-operatórios têm sido relatados. A escolha depende da experiência do cirurgião e da vontade do paciente.

Quais são os detalhes técnicos e cuidados pós-operatório da retirada completa da próstata?

É uma cirurgia que dura em torno de 2h, o período de internação gira em torno de 72h, não causando transtornos dolorosos de grande monta. Os pontos da ferida cirúrgica são retirados após sete a dez dias. A sonda uretral deve permanecer de dez a catorze dias. Caso haja perda urinária após a sua retirada, aconselha-se o uso de absorventes apropriados existentes no mercado.

Há possibilidade de retirada da próstata através de robô. Qual é a vantagem?

Sim, alguns centros na Europa e nos EUA têm utilizado robôs para auxiliar na retirada cirúrgica da próstata, com resultados semelhantes aos das técnicas convencionais. Porém, até o momento não foram evidenciadas vantagens consistentes do emprego de robôs nestes casos.

Se a minha próstata for retirada enquanto a doença estiver localizada é certeza que estarei curado?

Não. Apesar de haver um prognóstico favorável, a probabilidade de cura não é de 100%. Por esse motivo todos os pacientes, mesmo que operados há anos, devem fazer controle periódico rigoroso. A chance de estar sem doença detectada após 15 anos gira em torno de 85%.


ALERTA

Segundo o National Cancer Institute, instituição americana voltada para estimular pesquisas relacionadas ao câncer, a incidência de morte por doenças cardíacas está em declínio, enquanto que o óbito secundário aos tumores malignos está cada vez mais freqüente. Outro dado que merece atenção é o aumento da longevidade no Brasil, fenômeno que apresenta tendência de se manter. O câncer da próstata é a neoplasia maligna que mais incide no homem. Tem seu pico de desenvolvimento clínico entre 60 e 70 anos, mostrando casos mais graves à medida que são diagnosticados em idades mais avançadas, representando um dos maiores custos financeiros para a saúde pública do país.

Aliado a estes fatos, os homens, de maneira geral são desatenciosos com sua própria saúde. Quando o problema é cuidar da saúde prostática, o comportamento se complica ainda mais. O desconhecimento involuntário ou irresponsável dos riscos que representam a negligência do diagnóstico do câncer da próstata associado ao temor místico quanto ao exame de toque retal, imprescindível para a sua detecção precoce, são fatores que, sem dúvida incrementam os riscos inerentes a esta grave doença.

Neste sentido, muitos estudos têm sido desenvolvidos com o intuito de conhecer o comportamento psicológico do homem quando o assunto é “cuidar da próstata”.

Na Unicamp - Universidade Estadual de Campinas - estamos na fase final de um estudo epidemiológico de homens que procuram pela primeira vez um urologista para checar as condições de sua próstata. O objetivo é avaliar aspectos e percepções do homem antes, durante e após a consulta médica. Já foi analisado o perfil de aproximadamente 200 homens e dados interessantes podem ser extraídos deste contingente.

Os resultados mostram que cerca de 60% procuram o atendimento médico por indicação de terceiros e não conta própria. Além disso, boa parte das consultas(quase 30% delas) também são agendadas por terceiros. Estes números falam por si só, denotando a falta de iniciativa quanto à procura espontânea a atendimento médico especializado. A esposa ou companheira é a grande responsável pelo “incentivo” na maioria dos casos.

Cerca de 60% acharam o toque melhor do que imaginavam e apenas 7% acharam pior do que supunham e cerca de 90% estão dispostos a realizar o exame regularmente. Boa parte dos pacientes conseguiu informações novas durante a consulta médica.

Além de não possuir conhecimentos essências relacionados a este tipo de doença, estes números nos mostram que o homem, de maneira geral, tem um comportamento patife com relação ao toque retal, elaborando todo tipo de mito decorrente do exame, desde o medo da dor até o receio da perda da masculinidade.

Homens de diversas camadas sociais, educacionais e econômicas foram estudados, não havendo grandes diferenças de comportamento segundo estes itens.

Na atualidade, o homem pode escolher entre viver ou morrer quando o assunto é câncer da próstata. Este alerta se faz necessário uma vez que a doença é curável em praticamente todos os casos, quando detectada no seu início, ao passo que diagnosticada tardiamente o que resta ao médico fazer é tentar o controle de sua evolução e impedir que a qualidade de vida seja gravemente comprometida.

Prezado leitor, transforme o seu urologista num amigo e conselheiro para os assuntos relacionados aos transtornos urinários e sexuais, principalmente relacionados à saúde de sua próstata. Saiba que ele, e não o amigo mais próximo, vizinho, internet, blog, chat... é o profissional preparado para informá-lo de maneira adequada sobre as dúvidas e aflições comuns decorrentes das alterações prostáticas.


NOTA – Matéria extraída do livro “Câncer de Próstata – Tire suas Dúvidas: 99 Respostas e Um Alerta”, lançado em 2007 pela Âmbito Editores.





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